Voltando aos poucos…

2016-08-08_zona-de-conforto

Imagem tirada do site tutano.trampos.co

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Sexto sentido (não o filme), alergia e outras coisas…

Acho digno quem tem o sexto sentido aflorado. Ele nunca falha.

Você pode até achar que é neurose da minha cabeça (até eu pensava que era), mas depois que comecei a seguir a ‘pulga atrás da orelha’ (como chamo meu sexto sentido), as coisas começaram a ficar mais claras pra mim.

Não que antes não fosse, era, mas recusava a ver.

Quando comecei a assistir Dexter, isso aflorou. O sexto sentido, não o lado assassino. Isso é tema para outro post.

Enfim, ia falar sobre o sexto sentido / relacionamentos, mas tive que tomar remédio (estou com gripe alérgica, é, nem eu sabia que isso existia) e o que tinha em mente sumiu.

Não que fosse importante (era), mas tudo bem. Quando lembrar (ah tá que eu lembro) escrevo.

Acho que sofro de DDA, não é possível. Oo

 

Bem assim.

O relacionamento acontece, não precisa forçá-lo. Nem apressá-lo. As pessoas ficam juntas porque querem, e no momento que decidem juntas. O que ajuda a eliminar dúvidas. Dúvidas essas que existem apenas porque pensamos nelas. Porque, de certa forma, tudo está sujeito ao engano. Não tem como controlar.
Quando estiver longe, não ligue toda hora. Todo mundo pode esperar. Na vida, é bom saber detectar o que é urgência. O resto cabe saber se controlar. Não deixe os monstros da comunicação instantânea te dominar. SMS não respondido imediatamente, uma ligação sem retorno, ficar um dia sem se falar, não é nada! Nada comparado à vida que vocês vão passar juntos. Se tudo der certo.
Não precisa fuçar o celular dele, espiar as redes sociais, entrar no e-mail. Quem inventou essa loucura? Mas também não se controle a ponto de ficar com preguiça de ver ele. Não seja a polícia da relação. E nem a vítima. Não faça planos vitalícios com ninguém. Converse sobre tudo, mas não discuta todos os lados da relação sempre. Vocês estão juntos porque querem estar. Tenha assuntos e amigos em comum. É sempre bom ter o que fazer na vida. Trabalho ou lazer. Hoje um enche a cara com os amigos. Depois de amanhã vocês vão ao cinema juntos. Saia sozinha. Tudo bem. Amanhã ele viaja sem você. E quando se reencontrarem terão novas histórias e papos pra conversar. Experiências para compartilhar e aprender. Essa é a hora para crescer como casal.
Saibam se divertir juntos, e sem o outro. Pegação não é flerte. Flerte não é paixão. Paixão não significa romance. Romance não é namoro. Namoro não é casamento. Casamento não é virar uma pessoa só.Sejam sempre dois, mas caminhando na mesma direção. Junto. Briguem por motivos reais. Tenham ciúme por motivos reais. Ciúme do passado é motivo irreal.
Antes de você existir na vida dele, ele já existia. Existir não é fácil. Tem que deixar a existência sempre arejada para poder existir ao lado de alguém. Mais disposto e com mais vontade. E que bom que você chegou na vida dele. Mas ele não nasceu de novo. Tudo vai se adaptar ao novo cenário. Paciência. Corte as ilusões de domínio. E torne a relação mais inspiradora. Essa dura mais. No pós-romance as pessoas não precisam explicar tanto, elas estão juntas porque querem. E isso basta.

Texto tirado do grupo ‘Pedaços & Trechos’ do Google +.

Que poema de Fernando Pessoa é você?

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Eis que sou:

Apontamento, Álvaro de Campos

“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
(“Apontamento”; 1929)

Cosmopolita, trilíngue (inglês e francês, além do português natal), alma andarilha, Álvaro de Campos é o oposto de Caeiro. Gosta das máquinas e engrenagens e das sensações da grande cidade – esse é o seu lado eufórico. Mas também é o heterônimo de Pessoa que mais se desiludiu com a própria poesia, admitindo que tudo o que escreveu não passou de palavras, ilusão.